Fiquei surpreso ao ver na página de notícias internacionais d’O Globo dessa semana a seguinte manchete: “Prostitutas dizem que foram contratadas para participar de festas de Silvio Berlusconi”. Minha surpresa não se deu pelo fato de um chefe de Estado contratar uma meia dúzia de putas pra uma farra, mas sim pela ênfase dada pela imprensa a tal fato.
Não consigo compreender como uma categoria de profissionais, em tese qualificados, se dá ao trabalho de cobrir fatos de tamanha irrelevância como esse! Geralmente esse tipo de notícia inútil é publicada nas colunas sociais, na revista Caras e afins, não na capa do caderno de notícias internacionais.
Que importância tem pra comunidade internacional se um cara, chefe de Estado ou não, contrata umas prostitutas para uma suruba? Imagino a insegurança de um pai de família ao se deparar com tal notícia. O coitado deve hesitar em freqüentar os prostíbulos habituais, temendo ver sua foto estampada nos jornais do dia seguinte com a seguinte manchete: “Escândalo: Fulano de tal é visto em puteiro”.
E é justamente por isso que relato a vocês, antes que esse tema vire um escândalo de proporções internacionais, que já me relacionei com prostitutas na minha adolescência.
Tudo começou no dia em que Edna, minha namorada na época, rompeu nosso relacionamento. Apesar do abalo que sofri e de minha pouca idade, na época tinha 16 anos, fiz o que qualquer homem sensato faria em meu lugar após o fim de um relacionamento: Fui encher a cara num puteiro!
Era uma ambiente desses esdrúxulos. Uma “boate” de beira de estrada, e como em todo cabaré de pobre, só tinha uma ou duas meninas, assim, comestíveis. E foi justamente uma delas que eu chamei pra minha mesa, pra tomar uma cerveja antes de partirmos pro quarto do bordel.
Jussara era o nome da dita cuja, Leporina era seu apelido, e muito embora ela fosse fanha, o que de certa forma dificultou o diálogo entre nós, me ensinou lições importantíssimas, que levarei comigo para sempre, como, por exemplo, o ensinamento de que as mulheres banguelas são capazes de fazer boquetes formidáveis.
Durante algumas semanas continuei visitando Leporina, até o dia em que ela se casou com um servente de pedreiro e abandonou aquela vida.
Confesso que fiquei um tanto quanto decepcionado, pois já estava me apegando a ela, pois naquela época, imaturo como eu era, não conseguia perceber que o sexo avulso é melhor que qualquer tipo de relação séria.
Depois de Leporina vieram outras e outras, que no fim das contas me ajudaram a esquecer de uma vez por todas a frustração inicial que me levou a procurar profissionais do sexo.
Hoje em dia não tenho mais o hábito de freqüentar bordéis, mas certamente não me recusaria a participar de uma das festas promovidas por Berlusconi caso fosse convidado.
Recordo agora uma afirmação do primeiro-ministro italiano que, ao ser questionado por um jornalista a respeito de sua relação com prostitutas, respondeu: “Nunca paguei para ficar com uma mulher.” Eu também não, Silvio, eu também não. Como disse certa vez alguém que não me lembro quem foi, “eu pagava, para ter certeza que elas iam embora no dia seguinte.”
10 Julho, 2009
Mais uma vez sobre prostituição
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Emanuel Grilo
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16:52
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09 Julho, 2009
Uma homenagem a Michael Jackson
Também comumente confundo “urgência” com “orgia” e essa confusão, em particular, caro leitor, pode causar inconvenientes e constrangimentos inenarráveis ao indivíduo.
Houve certa ocasião em que entrei num pronto socorro e, ao me deparar com a moça da recepção, perguntei: Quanto é o programa? Ela olhou-me espantada e chamou o segurança. Mas lá fora na placa, expliquei pro bruta montes enquanto ele me dava uma chave de braço, mas lá fora na placa tem dizendo “Orgias e Emergências”! O escroto ignorou minhas explicações e me pôs porta a fora. Realmente é difícil dialogar com essa gente. Seguranças e policiais, a meu ver, representam um risco ao estado democrático de direito, pois eu, um cidadão brasileiro que respeita as leis, diversas vezes fui vítima de arbitrariedades cometidas por essas categorias de profissionais, como na acima narrada.
Mas lá fora, na calçada, me dei conta que, na verdade, a placa dizia “Urgências e Emergências”.
Também costumo confundir pessoas, e justamente por isso é que fiquei surpreso com todo esse estardalhaço que a imprensa vem fazendo em torno da morte de Jackson do Pandeiro. Mas o cara já morreu faz é tempo, disse eu a um amigo, que gentilmente me falou que o defunto em questão não era Jackson do Pandeiro, mas sim um tal de Michael Jackson.
Nunca conheci ninguém em minha vida que tenha comprado um disco desse tal Michael Jackson, mas agora, depois que o cara morreu, em todo lugar estão prestando homenagem a ele.
Aqui em Natal, no último sábado, uma homenagem que pretendiam fazer pro tal Michael foi dispersada pela polícia na base da porrada. Tudo isso por causa de um mal-entendido.
Pois bem, uns caras aqui, ligados a uma Associação de Curta-metragistas, cineclubistas, ou algo do tipo, me enviaram um e-mail comunicando que fariam uma homenagem ao falecido, e eu, prestativo, usei de minha influência junto à imprensa para divulgar o evento.
Confesso que não compreendi o espanto dos jornalistas quando eu falava do assunto e comunicava a programação, que somente era composta pela exibição de filmes e vídeo-clips.
No domingo recebi um telefone desaforado de um dos organizadores e, somente quando olhei os jornais é que compreendi o motivo de tal celeuma: é que ao invés de dizer que o evento estava sendo organizado por cinéfilos, equivocadamente disse que quem estava promovendo a homenagem era um grupo de pedófilos.
Por isso a polícia foi acionada e impediu a realização do evento.
No fim das contas, não fiquei com o menor peso na consciência por ter sido tão desatencioso e cometido tal equívoco. Eu nunca gostei de Michael Jackson mesmo!
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Emanuel Grilo
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11:31
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03 Julho, 2009
"Protesto contra proibição de documentário acaba em pancadaria no Acre"
Quem imaginaria que um documentário amador causaria tanta celeuma? Vejam vocês aqui a notícia sobre o documentário “Fazendo presença” dirigido por este que vos escreve.
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Emanuel Grilo
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12:49
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25 Junho, 2009
Curso de contorcionismo para homens autodidatas solitários
Baixei um dia desses um livro em PDF intitulado “Curso de contorcionismo para homens autodidatas solitários” de autoria de um tal Barbalho Câmara. Confesso que estranhei o título, mas mesmo assim baixei o e-book.
A primeira lição era intitulada “Exercícios para conseguir se auto boquetear”. Como não tenho interesse em aprender tal coisa, pulei pra lição seguinte, que era “Aprenda a comer sua própria bunda.”
Não vejo mal algum em o indivíduo comer o próprio rabo e chupar a própria pica, mas isso é o tipo de coisa que não me interessa. Não que eu considere viadagem esse tipo de prática, mas sou meio conservador e, no que se refere a sexo solitário, prefiro a tradicional e bem comportada punheta.
Mas caso algum leitor se interesse pelo material, é só enviar um e-mail para ehgrilo@hotmail.com que eu envio.
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Emanuel Grilo
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18:23
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24 Junho, 2009
A indústria pornográfica é foda!
Idealizado com o objetivo de garantir fama, mulheres e dinheiro fácil para nós, que postamos de vez em quando essas bostas de textos, até uns meses atrás as coisas aqui no Cavalo-Verde estavam indo muito bem, até surgir, como diz meu amigo Ewerton, essa tempestade de merda na economia.
Importantes patrocinadores rescindiram os contratos conosco, e tivemos que reduzir os custos; fechamos diversas sucursais Brasil a fora, demitimos dezenas de funcionários e pusemos fim às mordomias que até então nós, do comitê central do blog, gozávamos.
Para mim não há nada de lamentável nisso tudo, afinal de contas eu sou um cara habituado a um modo de vida simples, pois nunca fui rico e enfrentei dificuldades financeiras desde o início de minha vida, haja vista ter nascido sem um centavo no bolso, nu, banguelo e analfabeto. As mulheres que saiam comigo por interesse financeiro, no entanto, não gostaram nada dos cortes que fui obrigado a fazer no meu orçamento pessoal e, consequentemente, sumiram todas.
Forçado por esses motivos a buscar um outro jeito de ganhar dinheiro sem trabalhar, aceitei protagonizar um filme pornográfico.
Esse tipo de emprego, pensei eu, vai me dar oportunidade de comer belíssimas mulheres, além de me pagar um bom cachê. O ponto desvantajoso seria o fato de ter que ficar nu em público, mas fora isso, tudo bem.
Ah, meus amigos, que saudade dos filmes pornográficos da década de 90! Aqueles que os moleques da minha geração tinham que contrabandear na vizinhança, ainda em fitas VHS. Hoje em dia as bizarrices viraram regra. Não mais existem limites e bons modos no meio pornográfico!
Uma característica que diferencia os filmes atuais dos antigos, além da presença de elementos como vômito, fezes, animais etc, é que hoje em dia a indústria explora muito os fetiches de cada categoria de expectador. Por isso é comum encontrarmos, por exemplo, filmes de mulheres orientais transando com cavalos, direcionado a adolescentes interioranos leitores de mangá.
O filme no qual fui atuar era um desses específicos pra determinado tipo de público. No caso, era um filme dirigido ao público pan-sexual.
No dia das gravações, ansioso que estava pra conhecer as atrizes, cheguei logo cedo ao estúdio, onde tomei conhecimento do título da película: “Sexo no escritório.” Para minha decepção fui informado pelo diretor que eu não contracenaria com nenhuma atriz, pois, como o filme era direcionado a pan-sexuais, eu protagonizaria uma cena sem sexo convencional.
Minha participação seria numa cena de suruba onde participariam, além de mim, um birô, um lap-top e uma coleção de livros de direito tributário.
Achei estranho no início, mas no fim, acabei curtindo a experiência. Ainda bem que nem precisei ficar nu, pois meu personagem era um voyeur depravado que se excitava com qualquer coisinha. A cena que eu participei exigiu muito do meu talento de ator, e justamente por isso é que eu estou otimista no que diz respeito à repercussão desse trabalho. Arrisco até dizer que sou forte candidato ao AVN Award do próximo ano.
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Emanuel Grilo
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18:04
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17 Junho, 2009
Pequena fábula sobre a viadagem.
A priori nós, seus amigos à época, não tentamos demove-lo dessa idéia, uma vez que é sempre interessante fazer auto-críticas, e abandonar certos posicionamentos irracionais diante da realidade social em que vivemos.
O problema de meu falecido amigo Valadares foi justamente a maneira que ele elegeu para iniciar sua auto-crítica: Fez amizade com um monte de viados.
Era inusitado quando casualmente nos encontrávamos, pois, desse dia em diante, quando enxergávamos ao longe uma roda de homossexuais – não estou fazendo trocadilho! – era provável que entre eles estivesse nosso querido camarada.
Nossos amigos em comum, como não era de se estranhar, se afastaram do pobre Valadares e eu, afinal de contas como era inevitável, também mantive um certo afastamento. Restou-lhe, pois, em seu circulo de amizades, somente os novos amigos, uma vez que nós, que preferíamos (eu particularmente ainda prefiro) vaginas a caralhos, na época tão preconceituosos que éramos, nos afastamos de nosso antigo companheiro por considerarmos um tanto quanto difícil a convivência com suas novas companhias, e não raras vezes comentávamos tristemente: O bicho virou viado depois de velho! Foda!
Alguns meses mais tarde, meu falecido amigo Valadares me procurou para, como ele mesmo disse, “fazer uma auto-crítica da auto-crítica”.
Logo no início da conversa fez questão de deixar claro que não era homossexual, e que desconfia que, todo homem que necessita auto-afirmar sua masculinidade, na verdade é um viado enrustido. Por esse motivo, entre outros, é que outrora tinha tomado a decisão de não apenas respeitar a orientação sexual alheia, mas também, como ele mesmo disse, “de conviver harmonicamente com as diversidades”.
Filiou-se ao PT onde fez novos amigos e, como não era de se estranhar, se sentia um pouco deslocado na presença de suas novas companhias, uma vez que era o único hetéro da turma, além de ser, segundo me consta, o único entre aqueles que não tem lá grande admiração por um tal de Leon Trotski, nem é torcedor do São Paulo.
Certo dia, após beber um pouco além da conta, perguntou a queima-roupa a um dos seus novos amigos: “Mas que graça tem em dar o cu, afinal de contas?”
Após uns desconfortáveis segundos de silêncio, um deles falou somente: “Dê o seu que você vai saber”.
Lamentavelmente Valadares caiu na besteira de seguir essa recomendação descabida, mas ficou cabreiro, pois queria “viver essa nova experiência”- as palavras são dele – com alguém que não o conhecesse até então, porque caso propusesse tal coisa a um conhecido, todos iam se certificar que ele realmente tinha assumido uma suposta homossexualidade que na realidade não existia.
Para conhecer um cara que topasse come-lo foi fácil. Se dirigiu até um dos banheiros públicos da UFRN e deixou lá um recado: “Nunca dei o cu e quero dar a primeira vez. Procuro homens, de preferência que tenham o pau fino e pequeno”.
Dois dias depois voltou ao banheiro e, bingo!, um cara que se auto-denominava “Descabaçador de cu”respondeu o recado e deixou um e-mail pra contato.
Nesse ponto na história ele calou-se, fumou um cigarro e eu finalmente perguntei: “Mas e aí... no quê que deu?”
- Foi horrível! Nunca mais quero repetir aquela experiência, nem nunca mais quero saber de amizade com viado!
Essa última fala de meu falecido amigo Valadares, caso esse texto fosse uma fábula, poderia muito bem ser a moral da estória.
Hoje em dia, após tomar conhecimento da trágica experiência de meu falecido amigo, não tenho condições de discordar de uma frase que ouvi certa vez de um velho agricultor no interior do Rio Grande do Norte que, ao ser questionado sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo falou: “Não vejo problema em ser admitida, o único problema é quando passar a ser obrigatória!”
Mas por obséquio, queridos leitores, não me interpretem mal! Não sou, como se diz por aí, “homofóbico” e, sem sacanagem, acho que a união civil entre pessoas do mesmo sexo deveria ser legalizada no Brasil, por se tratar de assunto que diz respeito unicamente a quem queira participar de uma relação dessa natureza e, parafraseando o velho Frederich Engels, este “é um assunto com o qual a coletividade nada tem a ver!”.
Esse mesmo senhor que mencionei mais acima, em uma de minhas andanças pelo Rio Grande do Norte, foi quem me recomendou o programa de Djann intitulado “Defecando pela boca”.
O programa é interessantíssimo - aqui vocês podem ouvir alguns.
O título, no entanto, me suscitou uma dúvida: sabendo-se que a diferença entre cagar e dar o cu é exclusivamente vetorial, ao defecar pela boca, estaria Djann chupando pica?
escrito por
Emanuel Grilo
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16:00
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10 Junho, 2009
PAPA PICA
Vejam vocês mesmos...
http://www.cosmo.com.br/noticia/30269/2009-06-10/mulher-morde-e-arranca-parte-do-penis-do-marido.html
escrito por
Leo Pinto
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20:10
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05 Junho, 2009
Falando sério
Sei que isso é um choque pros meus amigos, pois tempos atrás eu me arrogava de ser um homem sofisticado, elegante, de refinada sensibilidade artística e musical.
Nunca escondi de ninguém o quanto sou romântico, mas romantismo por romantismo, quando o assunto era música, eu sempre disse preferir Sergei Vasilievich Rachmaninoff a Bartô Galeno.
Hoje, honestamente, pouco me importam as preferências musicais alheias, e não faço esforço algum para persuadir seu ninguém que minhas preferências no campo da literatura, música, cinema etc, são as mais refinadas.
Por isso não tenho qualquer pejo em admitir que me emocionei quando a galega baiana entoou: “Eu não queria ter vocêêê, por um pro-gra-maaaa...” mas acredito que, apesar da dita cuja ter um belíssima voz, Falando sério é o tipo de música que deveria ser interpretada somente por homens.
A canção é um desabafo de um homem que se dá por vencido e joga aberto com a fulaninha que desumanamente o faz de gato e sapato. Por isso começa dizendo:
Falando sério
É bem melhor você parar com essas coisas
de olhar pra mim com olhos de promessa
depois sorrir, como quem nada quer.
Caralho! Isso é um surto de sinceridade com um misto de desespero, raiva, insegurança e uma ponta de esperança que o comportamento da cachorra provocou no coitado. Ele a quer só pra ele, quer casar, assumi-las, mas ela, vagabunda, dá pra todo mundo.
Quando ele diz que É bem melhor você parar com essas coisas... está aludindo ao sofrimento que aquela situação o provoca, ao mesmo tempo que deixa implícita uma sutil ameaça.
Logo após ele se rende e dá uma de coitadinho: Você não sabe, mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez.
A parte, porém, que considero a mais formidável é a seguinte:
Falando sério...
Eu não queria ter você por um programa
E apenas ser mais uma em sua cama
Por uma noite apenas e nada mais!
Falando sério...
Entre nós dois tinha de haver mais sentimento
Não quero o seu amor por um momento
E ter a vida inteira pra me arrepender...
Ele sabe que pode come-la sempre que quiser, ou melhor, sempre que puder pagar o programa, a comissão do cafetão, o táxi e o motel.
Mas tudo isso para um assalariado nem todo mês é possível.
Então ele, imagino eu, sentado na cama do puteiro, ela por trás dele deitada ainda nua, decide confessar seu amor, na tentativa de sensibiliza-la: Não quero teu amor por um momento!
Mas ela, insensível, só quer receber seu dinheiro e correr pra janela pra esperar outro cliente.
Falando sério não é um clássico da MPB apenas por sua letra impecável, por sua melodia e arranjos agradabilíssimos, mas principalmente, pelo fato de nos remeter àquele momento inelutável na vida de todo homem em que nos apaixonamos por uma vagabunda!
Esse vídeo que postei aí é uma versão de Roberto Carlos cantando a música ora em apreço.
O cara é foda mesmo! Canta com emoção e elegância. Mas como iniciei este post falando sobre bom e mal gosto: apesar da interpretação de Roberto ser excelente, o cravo que ele tá usando na lapela não caiu muito bem.
Vejam aí o vídeo.
escrito por
Emanuel Grilo
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14:06
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28 Maio, 2009
Sobre academias, blowlob, mulheres ajumentadas, Akira Kurosawa e Jaspion (ou De volta à vida sedentária)
Antes de fazer minha matrícula, no entanto, tomei as providências preliminares que qualquer pessoa de bom senso tomaria numa situação dessas: fui comprar uma fita K7!
Ora, para se fazer ginástica, é indispensável estar ouvindo uma boa música na hora dos exercícios. Por isso, uni o útil ao agradável, e comprei a nova fita K7 de uma das minhas bandas contemporâneas favoritas – Banda Blowjob - para inaugurar meu Walk-Man que comprei pela internet.
Quem ainda não conhece essa banda, aconselho que escute seu novo trabalho – a Demo tape intitulada Bola Gato, na qual as garotas (é uma banda formada só por garotas) fazem releituras interessantíssimas de músicas de artistas consagrados no continente, como Genival Lacerda e Carlos Gardel, em versões que misturam de punk-rock com samba de gafieira, que é o que de mais inovador aconteceu na MPB desde a Bossa-Nova.
Pois como eu ia dizendo, comprei a fita da Blowjob e corri pra academia pra fazer minha matrícula no Muay Thay.
Cheguei na academia e fiquei aguardando a recepcionista que tinha dado uma saidinha, ouvindo meu walk-man no máximo volume, apreciando as mulheres ajumentadas – no melhor sentido da palavra – que trafegavam por ali.
- Pois não, senhor. Falou a moça da recepção assim que retornou, e eu, apontando para as mulheres que a pouco mencionei, perguntei:
- Aquelas ali, são do Muay Thay?
- Ah, sorriu a recepcionista, não não. São do Aero-axé.
Eu que tinha acabado de tirar o read-fone do ouvido, ainda impactado pela surdez momentânea que geralmente nos acomete quando interrompemos bruscamente a execução de uma música em volume muito alto, entendi ela dizer “aquelas são alunas do curso de lambada-nudista”. Ouvindo isso – ou achando que tinha ouvido - não hesitei em me matricular imediatamente.
Fui, então, para minha primeira aula e, já de cara, encontrei minhas colegas de turma na porta de entrada da sala, conversando sobre os assuntos mais diversos.
Quando ia me aproximando ouvi uma das fulanas dizendo:
- Meu sonho é ser dançarina de uma consagrada banda baiana de pagode.
Eu, ainda meio surdo, equivocadamente entendi ela dizer “eu adoro os filmes de Akira Kurosawa” -黒澤 明, e tentando me entrosar na conversa, passei a tecer elogios à obra do cineasta japonês, frisando que, na minha humilde opinião, Rashōmon é um dos filmes mais geniais de todos os tempos.
O pessoal me olhou com certa estranheza, e somente depois é que eu fiquei sabendo que nenhuma das pessoas presentes nessa conversa conhecia Akira Kurosawa. Na verdade, elas nem sequer sabiam que no Japão existe cinema e cineastas há muito tempo!
Fui cancelar minha matrícula na academia, e disse à moça da recepção que eu havia me enganado, pois eu achava que tinha me matriculado nas aulas de lambada-nudista, quando na realidade a academia nem oferece esse tipo de esporte.
Me dirigi à porta de saída e antes de ligar meu walk-man, fui interpelado pela recepcionista com a seguinte interrogação:
- Akira Kurosawa, por acaso, é o cara que interpretou o Jaspion no cinema?
- É não, falei, o cara que interpretou o Jaspion foi o Hikaru Kurosaki. Olhando direitinho, até que os nomes são parecidos. Mas não tanto ao ponto de confundi-los!
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Emanuel Grilo
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11:47
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25 Maio, 2009
Pequeno esclarecimento ao leitor Vinícius "Elfo" Rennó
O leitor Vinícius "Elfo" Rennó postou o seguinte comentário, no texto que postei aí embaixo Sobre calcinhas comestíveis.
“Uma amiga minha me perguntou, após ler o teu texto, se existem cuecas comestíveis.”
Bem, caro Vinícius, diga a sua amiga que sim, ainda existem cuecas comestíveis. Mas, diferentemente das calcinhas, não existem muitas opções de sabor.
Na verdade, a indústria brasileira de cuecas comestíveis vem enfrentando uma crise sem precedentes, o que sem dúvida contribuiu para o surgimento dessa marolinha que tá rolando por aí mundo a fora.
Por mais que a indústria tenha despendido esforço razoável para produzir cuecas artificialmente saborosas, não obteve êxito! As clientes que, em tese, deveriam comer as cuecas, não aprovaram, gerando enorme prejuízo aos empresários, fazendo as ações na bolsa das empresas do ramo caírem abissalmente, contribuindo dessa maneira para o agravamento da crise econômica internacional. (Veja o gráfico)
Lembro certa vez de ter ouvido uma reclamação de que a cueca sabor pêssego com cupuaçu, na realidade, tinha um estranho sabor de água sanitária.
Os homens que, para agradar suas consortes, toparam vestir essas inusitadas indumentárias também não gostaram do resultado. Um amigo meu, por exemplo, me relatou que viveu a traumática experiência de ter um testículo mordido por engano, e ainda pra piorar, na mesma ocasião, um pentelho de sua bolsa escrotal ficou presa entre os dentes de sua namorada. Ainda bem que esse é o tipo de problema fácil de se resolver, pois basta cortar o maldito cabelinho e pronto! Procurar a tesoura numa situação dessas, no entanto, é que deve ser deveras constrangedor.
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Emanuel Grilo
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12:13
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13 Maio, 2009
Baitolagem
Já recomendei noutro post o blog de Eduardo, que foi queimar a rosca morar na Europa, de onde publica textos interessantíssimos, que revelam sua homossexualidade seu talento literário.
Ele relata aqui, de forma comovente, sua primeira experiência homoafetiva. Vai lá conferir, mas cuidado pra não se sentir tentado a virar fresco.
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Emanuel Grilo
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10:58
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12 Maio, 2009
Comendo calcinhas
Confesso que quando ouvi essa frase fiquei um tanto quanto receoso, afinal de contas eu não podia prever a que tipo de acessório ela se referia. Mas tive a agradabilíssima surpresa de me deparar com uma calcinha de framboesa e a voz imperativa de Poliana me dizendo: Come!
Evidentemente que, diante de minha, digamos, pouca familiaridade com artigos de sex-shop, ela precisou me advertir:
- Calma! Mandei comer a calcinha primeiro!
Desde esse dia, as calcinhas comestíveis viraram um vício para mim. Experimentei todos os sabores: Morango, framboesa, chocolate, açaí, jaca etc.
Mas as minhas preferidas são as de sabor carne de charque e jabá acebolado. Se bem que a de queijo-qualho também é assaz saborosa.
Comer calcinhas, além de saciar o animalesco fetiche de rasgar com os dentes as roupas de baixo da companheira, é também algo muito saudável.
O valor nutricional de tais iguarias é rico o suficiente para deixar um homem adulto alimentado o suficiente para encarar uma noite inteira de sexo: Calorias: 247; Proteínas: 3,80g; Fibra: 16,90g; Cálcio: 118,00; Ferro: 58,00; Vit.B1: 11,80; Vit.B2: 0,36 e Vit.C: 0,01.
Só advirto ao leitor que não tente comer calcinhas de poliéster, tampouco as de couro.
Recentemente passei por um enorme constrangimento por causa dessa mania de comer calcinhas. Tentei comer uma calcinha de uma amiga, mas não obtive êxito. Melhor dizendo: Não consegui comer a calcinha nem a dona, que alegou estar menstruada.
Sorrateiramente, após algumas horas, furtei do varal da fulana a peça íntima e corri pra casa.
Sem me dar conta que tinha deixado a porta de meu apartamento escancarada, fui flagrado por um vizinho enquanto a fervia na panela.
Era uma calcinha de algodão, daquelas do tipo que, depois de um dia corrido, são excelentes pra temperar uma sopa de camarão.
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Emanuel Grilo
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19:09
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Folha reproduz notícia publicada no Cavalo Verde
Segundo Emanuel Grilo, um dos redatores do blog, “o que nos deixou chateado foi o fato deles terem reproduzido nosso texto sem creditar” e afirmou também que “estamos acionando nossa assessoria jurídica para mover processo contra a Folha.”
A notícia objeto da celeuma, é sobre a possível pandemia de Linfogranuloma Venérea Caprina, que vem crescendo em todo o mundo nos últimos dias.
A assessoria de imprensa do Cavalo-Verde ainda não se pronunciou a respeito da nota.
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Emanuel Grilo
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16:20
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08 Maio, 2009
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Emanuel Grilo
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15:52
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07 Maio, 2009
Linfogranuloma Venéreo Caprina pode virar Pandemia.
Trata-se da “Linfogranuloma Venéreo Caprina”, uma variação da doença homônima, que até pouco tempo atrás só era transmitida de um ser humano para outro, através de relações sexuais.
O primeiro caso foi catalogado na cidade de Cercana del Sur, na Guatemala, região onde o forte da economia é a caprino-cultura leiteira. A vítima é um adolescente, Júlio Fernandez, de 16 anos.
Na última segunda feira, dia 04 de maio, o jovem apresentou os sintomas e foi encaminhado para o hospital da cidade, no qual permanece internado.
A doença já se manifestou em dezessete pessoas pelo mundo, sendo oito na Guatemala, duas na República Dominicana, três na Inglaterra, duas no Timor-Leste, uma na Indonésia e uma no Tibet, além dos vários casos suspeitos que foram catalogados até o momento.
Segundo Thomas Abraham, porta-voz da Organização Mundial de Saúde, “não há motivo para pânico, uma vez que a doença só é transmitida através de relações sexuais. Para se prevenir, basta tomar as cautelas de praxe” assegura Abraham.
Médicos Guatemaltecos investigam como o adolescente foi contaminado.
SINTOMAS
Assim como o Linfogranuloma venéreo comum, o Linfogranuloma venéreo caprino caracteriza-se pelo aparecimento de uma lesão genital de curta duração e que se apresenta como uma ferida. Esta lesão dura entre três e cinco dias.
Após a aparente cura desta lesão primária, podem surgi outras complicações, como inchação dolorosa dos gânglios de uma das virilhas. Se esta inchação não for tratada adequadamente ele evolui para o rompimento expontâneo e formação de fístulas que drenam secreção purulenta.
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Emanuel Grilo
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18:57
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04 Maio, 2009
Sobre bailarinas
E, como o leitor provavelmente já deve desconfiar, gosto de bailarinas também.
Minha atração por elas, pelo que me lembro, se deu ainda na infância, após ler uma versão traduzida para o português d’O soldadinho de chumbo.
Como o leitor sabe, o protagonista desse conto infantil se apaixona por uma bailarina de papel. Mas, a priori, foi o fato dele ser perneta que fez com que eu me identificasse com o dito cujo. Afinal de contas, quase fiquei perneta após ser atropelado aos oito anos de idade. Li então o contozinho no leito, enquanto convalescia, e lembro de como torci para que os dois terminassem juntos.
Dias se passavam e eu, da janela do meu quarto, observava deslumbrado as meninas passando na rua: coque no cabelo, colan por baixo da blusa da Dina Nina, a caminho da aula de balé, enquanto eu, semi-perneta, decorava poemas de Álvares de Azevedo planejando recitá-los um dia, nos ouvidos de uma delas, conquistando-a, enfim.
Anos mais tarde, tornei-me freqüentador assíduo de espetáculos de ballet. Percorri os camarins, frenquentei ensaios, mas não conheci nenhuma bailarina que me interessasse.
Isso durou até o dia em que desisti de tal busca, por achar piegas da minha parte. O que realmente foi confirmado no dia em que, semi-embriagado na mesa de um bar, recitei para mim mesmo, mas em voz alta, sem me dar conta do rídiculo:
Amoroso palor meu rosto inunda,
Mórbida languidez me banha os olhos
Fui interrompido por estrepitosa gargalhada numa mesa próxima, na qual uma garota – uma dessas da foto acima, que o leitor já deve desconfiar de quem se trata – se conteve na marra, assim que olhei com semblante seriíssimo, e me pediu desculpas dizendo:
- Me perdoe... é que não consegui me conter. Pensei que ninguém gostasse de Álvares de Azevedo... Com todo respeito, mais ele é muito meloso...
Fingi concordar, para não desagrada-la e emendei a conversa. Descobri, no fim da noite que ela era bailarina, mas não revelei meu fetiche.
Casei-me com ela alguns dias após, e no fim das contas, deu no que deu.
Estamos até hoje da maneira que o leitor já deve está imaginando. Caso eu contasse, ninguém acreditaria.
escrito por
Emanuel Grilo
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15 Abril, 2009
Dinheiro público para vadiagem.
Apesar do canalha ser um tremendo de um filho da puta, como o fato narrado comprova mais uma vez, uma coisa não dá pra negar: O galado tem bom gosto!
escrito por
Emanuel Grilo
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13 Abril, 2009
Um pouco de filosofia.
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Emanuel Grilo
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08 Abril, 2009
Die verwandlung von Kafka
Confesso, sem constrangimento algum, queridos leitores, que durante muito tempo maldisse a mim mesmo por causa de minha tamanha incultura literária.Era visível meu desconforto nas rodas de amigos sempre que o assunto era literatura, sobretudo quando tratava-se de um tal Kafka.
Quando alguém citava este nome, inaugurando então empolgadíssimos colóquios, logo eu me tornava circunspecto, ou inventava qualquer pretexto para evadir-me.
Esse comportamento se dava pelo fato de eu simplesmente não entender absolutamente nada que tal escritor dizia em
suas obras e, por conseguinte, não ter nada a dizer sobre o mesmo.Minha primeira tentativa de leitura foi uma novela chamada Die verwandlung, que meus amigos teimavam em chamar de A metamorfose. Infelizmente descobri tarde demais que aqueles desonestos do caralho liam obras traduzidas para o português, enquanto eu tentava lê-las em alemão, mesmo sem saber uma palavra sequer do idioma de Goethe! Talvez fosse por isso – imaginei na época – que eu não entendia nada das obras de Franz.
É bom ressaltar que tal descoberta não minorou meu recém adquirido complexo de inferioridade intelectual, que somente agora superei.
Corri então para um Sebo – sebo, não esmegma – comprei um dicionário Alemão/Português, e pus-me a ler avidamente tal opúsculo.
Outra decepção me acometeu então, ao saber que a estória contada no livro é totalmente diferentemente da contada por todos.
Kafka inicia Die verwandlung dizendo o seguinte:
"Als Gregor Samsa eines Morgens aus unruhigen Träumen erwachte, fand er sich in seinem Bett zu einem ungeheueren Ungeziefer verwandelt."
Modesto Carone, por sua vez, traduziu o texto da seguinte maneira:
"Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso."
Daí então, na versão em português, passa-se a narrar a angustia do pobre Gregor que, transformado num inseto, acaba se fudendo no final, para alívio de sua família.
Importante ressaltar que tal metamorfose tem sido objeto de muita polêmica nos meios acadêmicos, pelo fato de alguns defenderem a tese de que Gregor metamorfoseou-se numa barata, enquanto outros acreditam que ele tornou-se um besouro qualquer.
Na minha versão, no entanto, que acredito estar em perfeita sintonia com o original alemão, não acontece uma coisa nem outra. O primeiro parágrafo, por mim traduzido, ficou da seguinte maneira:
"Ao despertar, certa manhã, de um cochilo pós-suruba, Gregor Samsa encontrou-se num quarto de motel, acompanhado por duas prostitutas, sentindo uma catinga insuportável de barata."
Prometo a vocês que um dia publicarei a tradução completa da novela em questão. Mas por hora, posso adiantar, para que ninguém mais se surpreenda, que A metamorfose de kafka é a estória de um jovem boêmio, frequentador assíduo de prostíbulos, que trabalha como caixeiro viajante. Gregor, de uma hora pra outra, passa a ter ilusões olfativas – sente o cheiro de barata em tudo! - e chega finalmente a enlouquecer. O protagonista, não suportando tamanho aperreio, se mata engolindo três pedras de naftalina.Apesar da obra original não ter nada a ver com as traduções, numa coisa meus amigos tinham razão: Kafka realmente era um gênio!
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Emanuel Grilo
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24 Março, 2009
Sobre notícias inúteis
"Fabio Júnior embarca em seu 5º cruzeiro"
"Alexandre Borges treina karatê na praia"
"Carolina Dieckmann se diverte com José"
Os enunciados aí em cima foram retirados da mais recente edição da revista Caras. É realmente incrível, mas tem um monte de gente que se interessa em saber esse tipo de coisa, e eu aqui, tento imaginar que espécie de doença mental leva um ser humano a se interessar por assuntos dessa natureza.
Por outro lado, sinto até uma certa inveja do espírito empreendedor do primeiro cara que tomou a iniciativa de lançar esse tipo de revista no mercado. Imagino que se eu estivesse em uma reunião onde se cogitasse a publicação de um semanário com tal conteúdo, após apresentada a proposta, debocharia do proponente e diria: - Deixa de ser idiota! Quem caralho vai se interessar em comprar uma revista com um conteúdo desses? Acho que será mais lucrativo se lançarmos uma revista de semiótica e coisa e tal... E aí, sendo eu voto vencido, e após publicada a tal revista com sucesso estrondoso, com cara eu ficaria?
Não sou especialista no assunto, mas levando em conta que a maioria dos leitores de revistas de fofoca é composto por pessoas das classes C e D, imagino que, sei lá, elas de certa forma se deleitam vendo os outros gozando de mordomias e luxos que elas jamais terão.
Futilidade por futilidade, após muito refletir, comecei a especular a possibilidade de escrever sobre esse tipo de assunto, ainda na época em que fazia parte dos quadros do semanário Tribuna Popular, que circulou há uns anos aqui em Natal.
Discuti a respeito do assunto com o editor, que topou na hora! O único problema é que, devido a sérias restrições financeiras, eu jamais teria condições de freqüentar os eventos da high society que os artistas geralmente freqüentam, e ir pra Europa então, nem pensar! Aí ficava um pouco difícil saber da vida dos artistas em primeira mão, e justamente por isso eu tive que me desdobrar e bolar uma alternativa.
Resolvi então falar de banalidades cotidianas, mas ao invés de ter como alvo a vida de gente famosa, o objeto de meu trabalho jornalístico seria os fatos da vida de gente comum!

Aqui transcrevo alguns trechinhos de manchetes publicadas à época na minha coluna intitulada Colunas anti-sociais:
"Mecânico é preso na 1ª DP por aplicar xeixo em puteiro."
"Homem dá dedada no vizinho e acaba sendo processado."
"Estudante é visto fumando maconha em show de banda de reggae."
Minha coluna foi muito bem aceita pelos leitores, e permaneceu na página 05 do periódico entre os anos de 2004 e 2008 quando o jornal foi extinto. Mesma assim a Caras nunca me ofereceu trabalho.
É realmente uma pena ter acabado aquele jornal, pois caso ainda existisse, eu noticiaria o seguinte esta semana:
"Ex-aluno da UFRN confessa: já bati punheta pra Mônica Mattos."
O punheteiro em questão é Eduardo Vinícius, que esta hora se encontra lá pros lados de Bruxelas, de onde atualiza – de vez em quando, é verdade – seu interessante blog. Vale a pena dar uma conferida!
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Emanuel Grilo
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17 Março, 2009
Fazendo Presença
Conforme prometido, aí vai o vídeo sobre a Marcha da Maconha que rolou no Fórum Social Mundial. É um documentário modesto, feito com uma câmera digital, mas acho que cumpre o objetivo de mostrar que, realmente, maconheiro unido é gente pra caralho!Quero aproveitar o ensejo para agradecer mais uma vez a Arnaldo Branco por ter autorizado a utilização de seu personagem Capitão Presença no nosso vídeo.
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Emanuel Grilo
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09 Março, 2009
05 Março, 2009
Ator Kid Bengala lançará livro de contos em outubro
Com o sugestivo título “Gozando a vida adoidado” a publicação, realizada pela editora brasiliense, é composta por treze contos eróticos. “O interessante é que, diferente do que as pessoas possam acreditar, no conteúdo dos contos do autor (Kid Bengala) não prepondera a vulgaridade” afirma Danda Prado, do conselho editorial da editora brasiliense. “Trata-se de boa literatura” sentencia.
O livro foi selecionado, no ano de 2008, no projeto de fomento à produção literária, financiado pelo Ministério da Cultura. O projeto, que é de âmbito nacional, tem por objetivo o desenvolvimento da criação literária visando a contemplar a produção inédita de escritores.
Segundo o autor, “Este é um trabalho fruto de muita dedicação. Sempre gostei de literatura e a possibilidade de lançar uma obra de minha autoria é realmente muito gratificante” afirma emocionado.
Com prefácio do reconhecido escritor sergipano Esdras Sizenando Barbalho, o livro deve chegar ao mercado ainda no mês de outubro. Esdras, autor de diversos livros, entre poemas, ensaios e prosa – dentre os quais, sua consagrada obra “O vôo da jacutinga”, agraciado com o Prêmio Jabuti – conclui seu prefácio afirmando que: “A literatura brasileira se surpreenderá com esta despudorada e saborosíssima obra que ora chega às mãos do leitor. Espero honestamente que todos, assim como eu, se deleitem ao transpor estas páginas.”
Abaixo segue um pequeno trecho do conto intitulado “Um homicida procaz”.
Quando acordou de manhã, notou o cadáver ao seu lado. A faca ainda cravada em um dos seios, olhos esbugalhados e um pouco de sangue na boca. Era bonita aquela fulana... sim, era bonita.
Podia ser pior, pensou consigo mesmo, e caminhou em direção a saída do motel. Informou ao porteiro que a mulher que se encontrava no quarto pagaria a conta, e ao notar a estranheza com que o outro o olhava – provavelmente pelo fato de suas roupas estarem encharcadas de sangue – exclamou com um despudor invejável:
- Essa puta tá menstruada!
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Emanuel Grilo
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10 Fevereiro, 2009
Um pequeno poema para Simone
Quando recém corno fui,
sem fulcro e sem grana,
sem perdão nem vingança,
perambulei por aí.
Tive finalmente
meu rancor amparado por Simone,
que me pagou cerveja e boquete,
me abriu caminhos e as pernas,
me deu carinho e o cu.
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Emanuel Grilo
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17:16
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09 Fevereiro, 2009
Legalize it!
No último post que publiquei aqui, mencionei o fato de ter participado da Marcha da Maconha, que ocorreu no Fórum Social Mundial em Belém do Pará.Estava eu na Universidade Federal Rural da Amazônia, me dirigindo para o local da manifestação, quando me deparei com uma passeata de vegetarianos que, revoltados, se dirigiram para um galinheiro – provavelmente objeto de estudo de uma das cadeiras do curso de biologia, zootecnia, ou algo do tipo – e libertaram os galináceos que ali se encontravam. Estes, por sua vez, com indisfarçável felicidade, ganharam o mundo. Eu, que na hora degustava um churrasquinho de carne, fiquei visivelmente consternado ao refletir sobre o tratamento desumano a que os animais são submetidos e imediatamente me entrosei na manifestação. Conheci um grupo de Hare Khrisnas que entoavam mantras entre uma e outra palavra de ordem. Conversamos a respeito da necessidade de se parar imediatamente com a matança dos animais e sobre os efeitos nefastos que a agropecuária causa ao meio ambiente. Fiz questão de esclarecer que havia aderido à causa havia pouco mais que cinco minutos, e sugeri que marcássemos de nos encontrar logo mais à noite numa churrascaria ali nas imediações para que eu pudesse tirar algumas dúvidas a respeito do vegetarianismo. Tive a impressão neste momento que, por algum motivo, os caras ficaram meio chateados comigo.
Despedir-me então dos manifestantes e fui para o local de concentração da Marcha da Maconha com uma câmera digital na mão, na intenção de fazer um modesto documentário sobre o protesto.
Confesso que fiquei um tanto quanto emocionado ao ver, vindo em minha direção, uma multidão, com maconheiros de todas as regiões do país, manifestando livremente sua opinião a respeito da descriminalização da maconha, sem ameaça policial.
Todos recordam a repressão que sofreram os manifestantes no ano passado ao saírem às ruas do país. Violência policial, prisões, arbitrariedade foram as respostas do Estado brasileiro diante da tentativa de se estabelecer um diálogo de tal importância. E agora lá estavam, expressando o ponto de vista de boa parte do povo brasileiro, milhares de manifestantes em favor da legalização da maconha.
Gritando palavras de ordem como:
EI, POLÍCIA! MACONHA É UMA DELÍCIA!e
ARROZ, FEIJÃO, MACONHA E EDUCAÇÃO!
os manifestantes se dirigiram até a Aldeia da Paz, onde discutiram se sairiam em passeata de dentro do Fórum ou não.
Após inflamados discursos, votou-se o encaminhamento proposto, no qual a maioria decidiu permanecer. Mais ou menos um quinto dos presentes votou favorável a saída e quatro pessoas votaram nulo.
Na verdade, há quem diga que a maioria dos presentes votou a favor de ocupar as ruas. Não sei ao certo. Mas eu fui um dos que anulou o voto.
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Emanuel Grilo
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06 Fevereiro, 2009
Sobre o Fórum Social Mundial

cumpro com minha palavra, e apresento agora, em vagas linhas, as impressões que tive do Fórum Social Mundial.
Cheguei em Belém do Pará não lembro bem o dia, pois quando viajo de ônibus perco a noção do tempo. Desci na rodoviária e me dirigi para o credenciamento do Acampamento Intercontinental da Juventude, que estava acontecendo na Universidade Federal Rural da Amazônia.
No dia de minha chegada nada que mereça ocupar espaço neste post aconteceu. Mas o fato de ver as pessoas, principalmente brasileiros, formando fila para serem fotografados com índios, como se aqueles fossem uma espécie exótica de animal da fauna amazônica, me deixou um tanto quanto intrigado. Porém, mais intrigado fiquei em saber que os índios estavam cobrando cinco reais para pousar pras fotos.
Encarei a longa fila para pagar o credenciamento do Acampamento e, alguns metros dali, um grupo de feministas consensualizava sobre a contribuição da tradição machista para os males sociais da América Latina e do mundo. Eu, com certa ingenuidade, confesso, tentei me entrosar na conversa concordando, a priori, com boa parte do que era dito por elas, afinal de contas, sou um cavalheiro, e não faz meu tipo contrariar uma dama numa discussão tão irrelevante como aquela. Porém, apesar de minha postura diante do diálogo, elas tentaram me convencer a todo custo que sou um troglodita machista, opressor etc etc.
Desisti da discussão enquanto recordava a célebre frase de Millô Fernandes que afirma “O melhor movimento feminino ainda é o dos quadris” e, após fazer meu credenciamento, me dirigi para o acampamento onde, logo após armar minha barraca, me entrosei com um universitário paranaense que usava uma saia xadrez elegantíssima e uma feminista lésbica – perdoem o pleonasmo – que, coisa raríssima, era até bonitinha e, felizmente, menos sectária que as que eu havia conhecido na fila.
Fumamos um baseado enquanto discutíamos sobre a maneira como as convenções sociais criam coisas, conceitos e modelos de comportamento que, aparentemente fazem parte da natureza inata das pessoas, mas não fazem. A sexualidade da forma como o senso comum a encara, por exemplo, é uma criação social, falou a feminista. Exatamente, concordou o universitário. E prosseguiu numa loquaz exposição na qual buscava fundamentar que heterossexualidade e homossexualidade são conceitos criados pela sociedade, mas que, na realidade, não fazem parte da natureza humana. Falou tudo isso enquanto degustava a machonha para, logo em seguida, oferece-la à garota feminista que prontamente aceitou. Eu, por exemplo, concluiu o estudante, de vez em quando dou o cu, e nem por isso me enquadro no estereotipo do que se convencionou chamar de “gay”... Preferi não polemizar. Dei boa noite a todos me recolhi pra dormir.
Nos dias posteriores, entre debates, palestras, mesas redondas, conferências, plenárias, bilaterais etc, não consegui descobrir que espécie de outro mundo possível é este que se busca construir a partir das discussões do Fórum.Em diversos momentos tive a impressão de estar dentro de uma grande feira, na qual se podia encontrar de tudo, desde artesanato indígena à coca-cola. Diga-se de passagem que a produção de lixo plástico cresceu substancialmente na capital paraense nos dias do evento.
O Acampamento Intercontinental da Juventude me pareceu um arremedo tosco de woodstock, no qual encontrávamos muita droga, um pouco de sexo e, infelizmente, nada de rock’n roll.
E por falar nisso, para não dizer que o Fórum Social Mundial foi uma bosta completa, enfatizo aqui que conheci um grupo defensor da natureza com uma proposta interessantíssima, que em breve pretendo plagiar aqui no Brasil e para tanto já estou a procura de voluntárias.
Além disso, tive o privilégio de acompanhar a marcha da maconha, o que vai me render um documentário interessante, que em breve postarei neste blog.
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Emanuel Grilo
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14:33
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03 Fevereiro, 2009
O QUE EU ACHO SOBRE AS COTAS E A MEIA ENTRADA NOS ESPETÁCULOS E EVENTOS CULTURAIS
Acho que após os estudantes e os idosos, é a vez do congresso nacional pensar em algum projeto de lei para garantir o acesso à meia entrada aos negros. Afinal a sociedade brasileira tem uma dívida social com os negros, parcela da população historicamente marginalizada da sociedade, que foi excluída mesmo dos bens mais básicos como o direito à liberdade à saúde, educação, como também do acesso à cultura. Uma lastimável ironia, pois foram justamente os negros os responsáveis por grande parcela da personalidade cultural brasileira. O samba, essa expressão cultural que verdadeiramente representa a cultura nacional, é oriunda da cultura dos negros trazidos da África. Hoje, devido à industrialização da cultura, grande parcela da população, onde se inserem a maioria dos negros, não tem condições de freqüentar uma apresentação de Chico Buarque, Caetano Veloso ou Gilberto Gil. Por esse mesmo entendimento, cremos que também deveriam ter assegurado o acesso ao mesmo direito pelos estudantes das escolas públicas, pois fazem parte de uma parcela da sociedade onde as famílias estão privadas de fornecer aos seus filhos aquilo é o mais básico da formação cultural de qualquer pessoa, a educação. Não tendo escolha, essas famílias dependem do Estado para fornecer educação aos seus filhos. Porém, de forma explicitamente reconhecida, o Estado têm negligenciado no fornecimento desse direito constitucional aos seus cidadãos. Para a solução de tal negligência, foram estabelecidas as quotas nas universidades para os alunos oriundos da rede pública de ensino. Essa medida já tem sido adota por algumas universidade públicas, a exemplo da Universidade Estadual da Paraíba, e pelas universidades particulares através do PROUNI. Ora pois, se o Estado admite que não consegue fornecer suficentemente bem o direito à educação, como poderá garantir o acesso dessa camada da população bens culturais da Nação? Através das cotas.
O direito à meia entrada é a garantia legal de que o beneficiário poderá ter acesso aos espetáculos e eventos culturais pagando apenas a metade do valor estabelecido no ingresso. È uma forma de garantir àqueles que dispõem de menos recursos o acesso aos espetáculos de natureza artística ou exclusivamente cultural. È uma pena, no entanto, que tal entendimento não prevaleça quando o assunto se trata de blocos de carnaval e micaretas! O mesmo raciocínio aplica-se à inteligência do direito às cotas na universidade aos negros e índios, embora a sua função esteja muito mais permeada pelo discurso das falhas históricas da sociedade e do Estado, do que pelo discurso das falhas atuais. Pensamos que após os idosos, negros e alunos carentes, o direito à meia entrada deva ser assegurado também às mulheres. Por que não? Não é necessário sequer relatarmos o quanto o patriarcalismo da nossa sociedade tem também a sua dívida histórica com as mulheres do nosso país. Os índios, assim como o acesso à universidade, também deveriam ser lembrados pelo direito à meia entrada. E então porque não pensar nos policiais? Serão eles quem estabelecerão à garantia da segurança de um patrimônio cultural que eles não tem acesso? Meia entrada aos policiais! E então por que não estender tais direitos à todos os cidadãos de bem?
Só não acho que seja justo estabelecer a meia entrada para os criminosos e os bandidos das quadrilhas organizadas, mas esses nunca vão aos eventos culturais. Estão sempre muito ocupados inventando leis.
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Erik Virgúleo
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28 Janeiro, 2009
Fórum Social Mundial.
Estou novamente em Belém, dessa vez acompanhando as atividades do FSM.
Em breve, aqui neste blog, postarei a cobertura que venho fazendo dos acontecimentos. Até breve.
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Emanuel Grilo
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08:33
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20 Janeiro, 2009
Comentando comentários alheios
Recebi de uma amigo um e-mail contendo uma entrevista de Tarso Genro a respeito da não extradição de Césare Battisti. A entrevista é comentada por Reinaldo Azevedo. Os comentários, por sua vez, vão comentados por mim.
Boa leitura.
FOLHA - O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, enviou uma carta ao presidente Lula expressando "assombro" com a concessão do refúgio a Cesare Battisti. Como o sr. analisa a reação italiana? Isso pode criar um problema entre os países?
TARSO GENRO - É perfeitamente natural. São relações entre Estados e o presidente da Itália expressou uma posição. Agora, nós aplicamos corretamente a legislação e a Constituição do país, assim como a Itália faz ao não extraditar criminosos comuns, como o Cacciola, por exemplo, que tinha dupla cidadania. Tivemos que trazê-lo de Mônaco [extraditado em julho de 2008], e isso que estou manifestando não significa que não respeite a Itália.
REINALDO AZEVEDO - É o fim da picada. Como ele mesmo disse, Cacciola tem dupla cidadania. Ademais, houvesse um acordo Brasil-Itália para extradição nesses casos, o sujeito teria sido extraditado. Ao evocar o caso Cacciola, Tarso joga para a torcida, embora, claro, diga que respeita a Itália: "Ah, vocês não nos deram o ex-banqueiro, nós não lhes daremos o terrorista".
EMANUEL GRILO - (...) "Ademais, houvesse um acordo Brasil-Itália para extradição nesses casos" Pois é, não existe acordo entre os países para extradição também neste caso, o que torna ilógico o "assombro"do presidente italiano com a concessão de refúgio! Além do mais, a qualificação de criminoso comum ou político fica a critério do Estado que conce ou não asilo.
FOLHA - O governo pode rever a concessão do refúgio?
TARSO - É preciso considerar que a decisão brasileira está baseada em vários pontos. Primeiro, o governo italiano considera que ele [Battisti] cometeu crime contra o Estado, um crime político.
REINALDO AZENEDO - Atenção! Isso é mentira! Battisti foi julgado e condenado como criminoso comum. A referência que se faz à atuação política só piora o caso do ponto de vista moral.
EMANUEL GRILO - Na sentença penal condenatória consta o seguinte trecho, que se refere ao motivo pelo qual Battisti foi conenado: "subverter violentamente a ordem econômico e social do Estado italiano, de promover uma insurreição armada e suscitar a guerra civil no território do estado, de atentar contra a vida e a incolumidade das pessoas para fins de terrorismo e de eversão da ordem democrática."Isso não caracteriza motivo político? Pode até haver outro motivo, mas a fundamentação da sentença enfatiza o caráter político da condenação.
TARSO - Depois, levamos em conta que ele permaneceu 11 anos e meio com status de asilado político na França, que foi concedido pelo então presidente Mitterrand.
REINALDO AZEVEDO - E o que isso quer dizer para este Brasil que se orgulha tanto da sua soberania? O refúgio concedido por Mitterrand (o socialista que serviu à República nazista de Vichy) foi revogado por Chirac: a própria França concluiu que a França estava errada...
EMANUEL GRILO - "E o que isso quer dizer para este Brasil que se orgulha tanto da sua soberani?" (...) "A própria França concluiu que a França estava errada..." Exercendo sua soberania, digo eu, o Brasil não é obrigado a acompanhar o ntendimento da França de que permitir a permanência de Battisti no país é um erro...
TARSO - E o Brasil tem uma tradição jurídica liberal no que se refere a asilos. Tanto à direita quanto à esquerda. Já acolhemos o general Bidault [que planejou uma tentativa de assassinato contra o presidente francês Charles De Gaulle no início dos anos 60], o general Stroessner [ditador paraguaio entre 1954 e 1989], o padre Medina [ex-integrante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia].
REINALDO AZEVEDO - Já expliquei neste blog as diferenças entre os casos. Mas o que me importa agora é outra coisa. Stroessner, asilado, ficou de bico calado. Não fez política no Brasil. E padre Medina? Continua a ser um fiel colaborador dos narcoterroristas das Farc. Documentos apreendidos com o pançudo Raúl Reyes o comprovam.
EMANUEL GRILO - E o fato de se encontrar no exílio proíbe o envolvimento do exilado com a poliítca interna de seu país?
TARSO - O que está havendo agora é uma reação ideológica pelo fato de Battisti ter sido um militante da ultraesquerda. Não houve nenhum debate jurídico até agora, mas um exame ideológico da questão.
REINALDO AZEVEDO - É uma clamorosa inverdade. As principais contestações que se fazem à decisão são de natureza técnica, sim. A maior delas: não é papel de um ministro de Estado sapatear sobre a legislação de outro país, atrevendo-se a ser uma corte revisora. Quem evoca a questão ideológica para conceder o asilo é Tarso. Se ele próprio o faz, a crítica ideológica não é descabida. Mas reitero: esse não é o principal problema. Ao considerar "políticos" os crimes de Battisti. o ministro destruiu um dos principais instrumentos da luta italiana contra o terror: a condenação por crime comum.E sabem o mais fantástico? A Constituição brasileira também não reconhece o crime político — não como atenuante. Ao contrário: o caráter eventualmente político de um crime só faz piorar a situação do criminoso. Terrorismo, na nossa Constituição, é crime imprescritível e inafiançável.
EMANUEL GRILO - Pelo comentário, nota-se que o cara não entende nada de direito internacional! O fato de se permitir a permanência no país de um indivíduo condenado em outro não significa "sapatear sobre a legislação de outro país", nem significa agir como corte revisora, mas é simplesmente o exercício da soberania do país que acolhe o condenado. Como disse anteriormente, o critério para definição de criminoso comum ou político é do Estado que concede asilo, não do que condena! O que se discute não é o fato dos crimes imputados a Battisti serem políticos ou não, mas se o que motivou a condenação foi motivo político. Vale a pena ressaltar que a condenação tomou por base o depoimento de uma única testemunha, e existe um brocardo jurídico, ainda da época de Roma, que afirma que "Testis unios, testis nullus". A respeito da Constituição brasileira, é verdade que ela considera imprescritível o crime de terrorismo, mas, pelo conteúdo da sentença, que citei acima, os crimes de Battisti são qualificados como "atos terroristas"por motivos meramente políticos! O próprio voto pela condenação de Battisti dispõe o seguinte: "não há dúvida de que se tratava de insubmissão à ordem econômica e social do Estado italiano, por razões políticas, inspiradas na militância do paciente e de seu grupo." Noutra passagem da sentença se afirma que o condenado é membro de: "um só projeto criminoso, instigado publicamente para a prática dos crimes de associação subversiva constituída em quadrilha armada, de insurreição armada contra os poderes do Estado, de guerra civil e de qualquer maneira, por terem feito propaganda no território nacional para a subversão violenta do sistema econômico e social do próprio País"
FOLHA - O governo brasileiro adotou pesos diferentes para conceder o refúgio a Battisti e na devolução dos boxeadores a Cuba em 2007?
TARSO - Não, naquela oportunidade o governo brasileiro deu refúgio. Os que pediram para ficar ficaram.
REINALDO AZEVEDO- Tarso está se referindo a outros cubanos, depois que se noticiou o escandaloso caso dos boxeadores.
TARSO - Os boxeadores não pediram para ficar.
REINALDO AZEVEDO - Um deles diz que pediram. Mas foram ignorados.
EMANUEL GRILO - Diz que pediu? Pediu como? A quem? Por escrito e tudo? Cadê o documento?
TARSO - Se não permitíssemos que eles deixassem o país, seria um seqüestro, porque eles disseram à Polícia Federal, à OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] e ao Ministério Público que queriam sair.
REINALDO AZEVEDO - Foram vergonhosamente devolvidos e ainda proibidos de falar com a imprensa.
TARSO - Não foi dado o devido destaque a atletas e músicos cubanos que pediram para ficar e ficaram, usando os mesmos critérios usados para o Battisti.
REINALDO AZEVEDO - Em primeiro lugar, Tarso está falando de uma remessa posterior de cubanos, quando aquele caso já havia se tornado público.Em segundo lugar, é absurdo, patético mesmo, que ele afirme que dispensou aos pobres cubanos "os mesmos critérios usados para o Battisti". O crime do bailarino e refugiado é dançar. O de Battisti é ter matado quatro pessoas.
EMANUEL GRILO - Tarso se refere, nesta passagem, ao que dispõe o art. 4º da CF: "Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: (...) X - concessão de asilo político."Veja bem: "ASILO POLÍTICO". Não importa o crime imputado àquele que requer asilo.
E Reinaldo Azevedo continua:
Alma da decisão - E quem não poderia faltar a essa magnífica celebração de equívocos e mistificações? Ele, aquele que é, a um só tempo, o pai de todos, o fura-bolos e o mata-piolhos: Dalmo de Abreu Dallari. O homem escreve hoje um artigo na página 3 da Folha. Querem ler um trecho?
(...)Há pouco mais de 30 anos, Battisti foi militante de um grupo político armado, de orientação esquerdista. O governo italiano da época, de extrema direita, estabeleceu o sistema de delação premiada, pelo qual os militantes que desistissem da luta armada e delatassem seus companheiros ficariam livres de punição. Com base numa delação premiada, Battisti foi acusado da prática de quatro homicídios, sendo condenado à prisão perpétua.Além de só haver como prova as palavras do delator, dois desses crimes foram cometidos no mesmo dia, em horários muito próximos e em lugares muito distantes um do outro, de tal modo que seria impossível que Battisti tivesse participado efetivamente de ambos os crimes.
REINALDO AZEVEDO - Comento: A história dos crimes simultâneos é tolice já desmontada. É que ele é considerado o que se chama por aqui "mandante" em um deles. Mas adiante. Observem que Dallari afirma que o governo italiano, à época, era de "extrema direita". É uma mentira asnal. A Itália nunca teve governo de "extrema direita" depois da queda do fascismo. Mas eis aí: mais uma vez, aparece um deles para fazer guerrilha ideológica — prática de que acusam seus adversários, como sempre...
EMANUEL GRILO - Como se prova que ele foi o mandante? O depoimento de uma única testemunha é suficiente para provar? O Réu teve direito a ampla defesa? As normas de processo penal brasileiras não permitem a condenação sem o devido processo legal e todas a suas garantias, por isso seria uma violação as normas penais nacionais enviar para ficar preso na Itália, uma vez que o mesmo foi condenado que ficou impedido de exercer seu direito a ampla defesa. Sobre a "guerrilha ideológica", é um aspecto da discussão impossível de excluir neste caso. O nobre Reinaldo Azevedo qualifica a todo momento Battisti de terrorista e considera que tal adjetivo não possui sentido político!
escrito por
Emanuel Grilo
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17:09
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12 Novembro, 2008
Lançamento do curta-metragem “Nóia parte II”
Será lançado na próxima sexta (14 de novembro), na Faculdade de Direito da UEPB, às 19 hs, o curta-metragem “Nóia II”. O vídeo, uma produção local que conta com o apoio da UEPB, é uma realização do Coletivo Cavalo Verde, uma organização recém criada pelos cineastas Érik Medeiros e Emanuel Grilo juntamente com o editor pessoense Renato Silva, cujo objetivo é fomentar a produção audiovisual nos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte.

Rayana Samara
Acessora de Imprensa do Coletivo Cavalo Verde
escrito por
Erik Virgúleo
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19:03
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